quinta-feira, 28 de abril de 2016

É pra beber ou não beber?

O alcoolismo é um dos maiores problemas sociais da atualidade. De cada 100 mil mortes no mundo, 12,2 delas são por conta do consumo de álcool, é o que mostra uma pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em um estudo realizado entre 2007 e 2009, divulgado em janeiro de 2014. E o detalhe, especificamente em doenças do fígado vinculadas ao álcool.
A pesquisa não cita outras causas de morte como acidentes de trânsito, afogamentos e violência causadas por embriaguez. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as projeções até 2025 mostram que o consumo no Brasil chegará a marca de 10,1 litros por ano por pessoa. Em 1985, o índice não chegava a 4 litros.
A televisão brasileira raramente faz matérias jornalísticas sobre os malefícios do consumo excessivo do álcool, haja vista, os telespectadores são bombardeados por várias propagandas que incentivam o consumo e torturam os que estão em tratamento.
No início do ano, o Governo do Estado do Ceará, através das Secretarias das Cidades e de Saúde, em parceria com o DETRAN, divulgou uma peça publicitária em que alguns artistas de renome do estado aconselham as pessoas a beber com moderação. Uma campanha que tem como lema ‘‘Seja você a mudança no trânsito. Respeite a vida’’ . Não há dúvidas que é uma boa iniciativa e que colabora para a conscientização, notadamente dos jovens.
Em uma dessas peças, estampadas nos principais jornais do Ceará, o cantor Xand, da Banda Aviões do Forró, é um dos protagonistas, com a seguinte mensagem: ‘‘Pra ser estourado nas festas, tem que saber beber, também. Se beber, não dirija. E lembre-se sempre de usar o cinto de segurança ou o capacete’’.
 A banda Aviões do Forró é sucesso em todo o Brasil e pode influenciar através de uma campanha institucional o consumo moderado do álcool. Algumas de suas músicas trazem versos que também incentivam a beber: Aquelas amigas que você me fez perder/Estamos na balada pra curtir e beber (Tô nem aí);
Na música ‘Vai Chorando’diz: Que a cada lágrima que você chora/ É uma dose que eu vou tomando; Bora descer na balada/Fazer uma rodinha/Tomar uma rodada (A Galera da Rodinha);  Vamo beber que hoje eu tô largado/Vamo beber, meu carro tá preparado/Vamo beber ... (Meu carro virou hotel);
Em ‘ Aviões Chegou’ começa assim: Oh, oh oh! O aviões chegou! Uh! Uh! Uh! Vai ter champanhe pra todo mundo, em seguida, ‘A noite inteira, bebedeira, o som torando’. Em Colinho do Papai (Senta Aqui), há um trecho que diz: ‘Liguei pra jack, liguei pra dani/ Convidei para zuar Separa o redbull e o litrão de old parr’ .
Não tem como saber a quantidade de jovens que leram nos jornais ou assistiu na TV à campanha do Governo do Estado, mas é possível imaginar quantos ouvem a Aviões do Forró e o quanto a banda influencia a juventude que está em formação e desconhece os prejuízos causados pelo álcool.

**** Luis Antonio Gomes (Editor do Correio Ibiapaba) - Coluna Opinião Interativa do Portal de Notícias Aconteceu Ipu

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