domingo, 27 de março de 2016

"O ápice da banalização da violência": bandido vira vítima da sociedade, até quando Brasil?

Antigamente, o delito que gerava repúdio à sociedade, era o furto. O marginal mais famoso e temido na década de 60 era conhecido por “Bandido da Luz Vermelha”. Sua armas eram um “macaco” de automóvel, que usava para arrombar casas, e uma lanterna. Certa vez, após subtrair, na calada da noite, poucos bens de uma residência luxuosa, antes de lograr fuga, beijou as mãos da dona da casa, que estava dormindo. Quando uma música é por demais repetida nos meios de comunicação, é bem provável que você, sem perceber, acabe cantarolando o refrão, mesmo não gostando da letra e do gênero musical. De tanto ouvir, acabamos aceitando, perdendo, assim, o senso crítico. O mesmo fenômeno ocorreu com a violência urbana no Brasil. Aos poucos, os meliantes foram mostrando suas garras, cada vez mais afiadas, e a sociedade passou a ser mais tolerante com o criminoso, gerando, assim, o fenômeno da “banalização da violência”.
Em 1989, Paulo Maluf lançou o seguinte pensamento, em razão do aumento dos casos de violência sexual: “Se está com desejo sexual, estupra, mas não mata”. Em seguida, surgiram dois bordões: ”Rouba mas faz”. “Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”. Mas a banalização da violência foi ganhando novos meandros e conceitos. Com a proliferação de assaltos à mão armada, à qualquer hora do dia e com o consequente aumento do número de mortes, diversas vítimas passaram a se manifestar da seguinte forma: “Nossa, o ladrão foi tão bonzinho, só roubou e não matou ninguém”. O mais curioso, é se por algum motivo o marginal cometer latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte, não será difícil ouvirmos comentários como: “Ahhhh, morreu por que reagiu”, ou seja, a vítima é considerada culpada pela ação nefasta do marginal. Acompanhe alguns comentários que se tornaram comuns em nosso dia a dia: “O bandido deixou meus documentos e pediu desculpas no final, ele foi muito gente”. “Nossa, o bandido que levou meu relógio era tão bonitinho”. "O ladrão roubou pouca coisa, nada de muito valor, nem vou perder tempo de registrar BO”.
O fenômeno da banalização do crime também atingiu aqueles que lutam ferrenhamente pelos direitos humanos dos bandidos. Os argumentos são sempre os mesmos e contrários à qualquer tipo de ação repressiva policial: “Bandido é obrigado a roubar porque foi excluído da sociedade”. “Prender não vai resolver, precisamos acabar com a desigualdade social e melhorar a educação”. “Não adianta colocar criminoso na cadeia; isso não recupera”. “Não precisamos gastar dinheiro com presídios e sim com escolas”.
Nos últimos anos, é comum a mídia noticiar crimes perversos, tendo como autores crianças e adolescentes. O debate sobre a diminuição da maioridade voltou à baila, e, mais uma vez, aqueles que são contrários, ao invés de focarem o assunto na responsabilidade penal, banalizam, generalizam e levam o debate para o campo filosófico ou sociológico: “Prender não resolve, temos que preparar os jovens para não serem criminosos”. “Não adianta encarcerar, pois juntos de adultos serão ainda piores”. “Sou radicalmente contra, pois não vai solucionar o problema na raiz. Ao contrário, criminalizando meninos e meninas em formação, podemos até piorar a situação”. “Hoje, defendem a redução para 16, amanhã, vão querer baixar para 14, 13 ou 12 anos. Devem ser punidos com rigor aqueles que utilizam nossas crianças no crime”. “Não se pode transformar cadeias em armazéns de gente, estocando jovens”. O fenômeno da banalização da violência chega ao seu ápice quando bandido perigoso passa a ser visto como vítima da sociedade e não como autor de crime repugnante.

*** Dr. JorgeLordello - Site "Tudo por Segurança".

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