sábado, 20 de junho de 2015

"O modernismo": Fim das tradições juninas de São João em Ipu.

À medida que o progresso avança como um rolo compressor, erguendo prédios por todos os lados, asfaltando ruas e avenidas, torna-se cada dia mais difícil manter as tradições de muitas de nossas festas populares. Como as juninas. A magia dos fogos de artifício, dos coloridos balões iluminando os céus, as fogueiras, as quadrilhas e as cantigas, vão fazendo parte do passado. Um passado não muito distante, quando ainda não havia chegado à febre de morar em apartamentos e as casas possuíam amplos quintais e jardins propiciando as comemorações juninas, quando não era proibido soltar balões e os fogos de artifício de tão ingênuos faziam a alegria da criançada, não representando maiores perigos. Os terreiros transformados em “arraiá”, enfeitados de bandeirinhas coloridas, serviam de palco para as adivinhações ao pé da fogueira, a dança da quadrilha e o famoso casamento matuto. Sem falar nas fartas mesas de comidas típicas regadas a muito aluá. Tinha bolo de milho, de mandioca; de abobara, de macaxeira batata-doce, grude, bolo de carimã e pé de moleque. Além das canjicas, do cuscuz, das pamonhas e do mugunzá, tudo feito em casa com o milho mesmo da safra.
E as cantigas de roda, de São João, enchiam de encanto e magia as belas noites de junho de outros tempos. Hoje elas foram trocadas pela chamada “música sertaneja” feita de encomenda para faturar; completamente destituídas da ingenuidade e pureza que cauteriza o nosso homem do campo. O povo da roça como se costumava dizer. E as moças de lá, como as de cá, não mais fazem trancinhas nos cabelos e nem usam recatados vestidos de chita nas festas juninas. Também não acreditam que os nomes de seus eleitos poderão ser decifrados sob o clarão das fogueiras. Hoje elas só querem saber de “rock”, do “as músicas” e forró moderninho, usar jeans, minissaia e tênis e “ficar” com algum gato que pinte no pedaço, que não esteja de camisa xadrez, calça remendada e chapéu de palha. E não tenha a infeliz ideia de convidá-las para dançar uma quadrilha. Umas danças cafonas e sem graça, dos tempos da onça, como definem alguns. E como contrastante a nossa tradicional Quadrilha criaram uma “tal de quadrilha country”, que não tem nada mesmo com as nossas raízes folclóricas, juninas, coisas dos nossos costumes e tradições dos nossos, São João na Roça.
**** Professor Francisco Mello

 (Copiado de sua rede social Facebook)

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