sábado, 12 de abril de 2014

O mundo carece de pessoas gentis


Casualmente liguei a televisão e me deparei com um dos poucos gestos de raras pessoas. Não era alguém abraçando um cachorro de rua, muito menos dando ajuda e assistência a algum necessitado. Era tão humilde, ou quem dera corajoso, quanto. É que hoje, atos de gentileza são considerados tão corajosos como aquele prato de comida que se é dado a algum necessitado. Qualquer coisinha a mais, seja um objeto oferecido por alguém que nunca teve contato com você ou aquele pequeno ato de segurar a porta do elevador enquanto você esta carregando sacolas e mais sacolas, já nos causa medo. Nós costumamos olhar torto, desconfiamos das mínimas coisas. Ficamos assustados.

É errado? Não. No mundo de hoje ter medo, já virou costume, e é, natural, natural até demais. Parece que isso realmente me causa aversão. Aversão dessa pessoa que chamamos de humanos. Há alguns minutos atrás, antes mesmo de assistir ao acontecido, eu não pensava que uma imagem pudesse, de certo modo, me balançar tanto ou me fazer refletir como realmente fez. Aliás, era somente um programa de televisão, que importância aquilo teria?
Uma jovem sai pela rua distribuindo flores e levando alegria aqueles que precisam e tornando o dia de outras pessoas bem mais fácil do que ele mesmo gostaria. A mulher, da qual o nome não me recordo, queria ver as pessoas felizes, queria sentir a vibração de seus sorrisos, mas eram poucas, eram poucas que não a olhavam como nós olhamos para um estranho. Qual a primeira reação? Medo. E talvez seja exatamente por isso que recuemos diante de uma situação como essa. Até então tudo bem, eu me senti normal. Foi a resposta de outro entrevistado que me fez enxergar a realidade. 
“Ah, a gente fica com certo medo, né? Achei que ia ser assaltado agora.” 
E desde quando, esse cidadão que eu não sei o nome, que eu nunca vi na vida, mas pelo qual eu já tenho enorme respeito, mentiu? Em momento algum. É exatamente isso que achamos, ou que pelo menos a grande maioria da população pensa de imediato. Serei assaltado. E isso começa a deixar cada um de nós sem reação. É estranho ser abordado no meio de uma rua, no meio daquele movimento todo, e se deparar com uma rosa? É, é bem estranho, mas ainda é pior quando nós interpretamos tudo errado e nos sentimentos tão tolos a esse ponto. Talvez cada pétala daquela humilde flor lhe traga um sentimento bom, sentimento esse que você não está acostumado porque o mundo não deixa. É conforto que vem de imediato, é aquela atenção que você não costuma receber diariamente. Então parece que você é importante, mesmo que a pessoa nunca tenha lhe visto na vida. 
A palavra referente a isso se chama gentileza, e é raro alguém saber usá-la, alguém interpretá-la de jeito certo, daquele que vai bem além do: “Obrigada”. Ser gentil não é somente ajudar alguém a atravessar uma rua ou apanhar a carteira daquele que caiu e devolvê-la, vai tão além de meros gestos, de pequenas atitudes. Começa por ai, por aquele “bom dia” que muitas vezes você não houve de alguém quando entra no elevador, ou quem sabe aquele “dorme bem” de um amigo virtual. É porque isso já não se chama mais gentileza, e sim amor, outro sentimento que o mundo anda precisando. 
Nosso erro? Achar que todos são maus, que a humanidade esta cheia de gente ruim, como realmente está. Mas que tal vermos por outro lado? Quer dizer, não recuar? A vida por ser tão bela quanto aquela rosa vindo de um estranho em pleno movimento pelo bairro, que, se não me for engano, localizava-se em São Paulo. Precisamos deixar o medo um pouco de lado e passar a ouvir mais aqueles que não conhecemos. São através de pequenos e, para nós, sutis gestos, que motivam as pessoas a fazerem a mesma coisa. 
Quem sabe qualquer dia, agente não chegue a um patamar em que será possível colocar as cadeiras na rua novamente e conversar com os vizinhos, sem que no fundo venha aquela pitada de medo e insegurança e o pensamento que muitos têm:
“Será que serei roubado?”.


Ana Luiza Bomfim – Estudante/ 1° Ano/ Ensino Médio 

Colégio Nossa Senhora das Graças

Jornal O Povo

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